Beiden Meridional
A porção mais ao sul de Beiden se assemelha muito a uma vila rural, com suas casas simples de telhados de palha, lar de fazendeiros e artesãos humildes. Esta região é a que menos sofreu com as guerras que assolaram a cidade e os camponeses estão acostumados com uma vida relativamente pacata. Além dos limites de Beiden existem campos de plantio ao sul, a onde se cultiva arroz, soja e hortaliças. Ao leste, existe um pequeno vilarejo burakumin que serve à cidade com seus serviços desagradáveis, mas necessários.É notável o contraste desta parte da cidade com aquela que se situa ao norte do Rio da Travessia, sendo que até mesmo o fluxo de pessoas parece minguar. É provável que, não fosse a existência do templo de Tenjin e das oficinas na Rua dos Artesãos, pouquíssimas pessoas sequer cogitariam visitar este lado de Beiden.
Principais Ruas do Sul de Beiden
Rua dos Armazéns: Assim como a Rua do Porto, atrai um número considerável de trabalhadores durante o dia, mas fica praticamente deserta ao anoitecer.Rua do Templo / Rua de Tenjin: Localizada no extremo-sul de Beiden, ela faz a ligação entre a Rua dos Mercadores e a Rua dos Artesãos, além de dar acesso à Estrada dos Fazendeiros. Esta rua sempre foi notória por abrigar o Templo de Tenjin, a fortuna da Escrita e da Literatura, contudo, desde a primeira vez que o Leão assumiu o controle da cidade, eles mudaram oficialmente seu nome para Rua de Tenjin. Essa mudança ainda causa confusão, principalmente com os camponeses, que há inúmeras gerações se referem à rua pelo seu antigo nome. Já houveram boatos de um samurai Akodo especialmente orgulhoso que executou camponeses por desrespeitarem a memória de Akodo Tengen, mas, é difícil saber a veracidade destes relatos
Estrada dos Fazendeiros: Apesar de ser chamada de estrada, esta é na verdade uma trilha que parte de Beiden e vai até Kagoki, ao sul da província. Em grande parte de seu percurso ela ladeia morros e colinas de vegetação arbustiva, passando por pequenas fazendas. Na extremidade sul da trilha, já próximo de Kagoki, surgem os campos mais férteis da província, uma região muito bem protegida pelo Escorpião pois concentra grande parte das fazendas do clã.
Trilha dos Lamúrios: Esta trilha conduz ao vilarejo burakumin de Beiden. Seu nome se dá ao fato das pessoas tomam este caminho para irem ao crematório.
Mapa em Alta Definição
22. O Tesouro de Inari
Propriedade de Watanabe Fuji. É irônico que um estabelecimento cujo nome homenageia à fortuna do arroz seja uma infame casa de sakê, conhecida por abrigar toda a corja portuária de Beiden. Diferente do que se poderia esperar este local é frequentado por samurais, contudo, não o mesmo tipo de samurai que costuma ir ao Tanuki Bêbado, mas sim aquele que busca shochu do forte, sakê barato e comida farta, e não se importam em comer ao lado de heimins – costume esse importado dos Yoritomo, cujos samurais acabam criando um laço de camaradagem com seus subordinados heimin, graças ao convívio direto no navio.O Tesouro de Inari acaba sendo um porto seguro para membros dos clãs menores e Fuji costuma abriga-los em troca de possíveis favores futuros. Ele notoriamente usa sua influência no Conselho para garantir a proteção destes “diplomatas”. Não é de se estranhar que até mesmo ronins (e alguns bandidos) busquem tal “proteção”, e muitos conseguem, afinal, para Fuji, nunca se sabe quando uma espada afiada, e potencialmente descartável, pode ser necessária.
Visitantes Recorrentes: Watanabe Fuji, “diplomatas” do Louva-a-deus e clãs menores, ronins mercenários, estivadores e marinheiros, pescadores, kajinin e a membros da “família” Koga.
23. Tenjin Seido
Asako Yohama, residente e protetor do templo, alega que não nega a entrada de ninguém que deseje fazer orações no salão cerimonial, mas restringe o acesso aos níveis superiores, segundo ele, para não provocar nenhum tipo de desequilíbrio espiritual em um local sagrado, mantendo-o puro. De fato, a questão é uma das que mais ansiosamente aguardam uma audiência com Miya Katsuko, e uma das que a regente mais deseja evitar.
A verdade é que Yohama não faz questão de que tal audiência realmente ocorra, afinal, ele acredita que Riyoshi tem a governadora em sua mão, sendo este é apenas mais um motivo para que ele o mantenha longe do templo, e sua biblioteca. O templo de Tenjin abriga uma grande biblioteca protegida pela irmandade de Shinsei, contendo preciosos registros históricos da região e do império. Com estes textos, a ambição desenfreada de Ikoma Riyoshi (e de qualquer outro em sua posição) poderia encontrar uma informação qualquer que reforçasse seus objetivos escusos.
Dizem que o maior pesadelo de um sábio é ver o conhecimento ser usados para trazer mais dor e sofrimento ao mundo. Certamente isso é algo que Asako Yohama não deseja para o fim de sua carreira – está velho e em via de se aposentar, e fará tudo que estiver em seu alcance para evitar que o tesouro de Tenjin caia nas mãos erradas.
O templo, uma grande construção com 7 andares, em formato de pagode octogonal. O salão cerimonial é ligeiramente mais largo que os andares subsequentes, podendo abrigar diversos visitantes quem venham realizar suas preces. No centro do salão há uma estátua de dois metros, representando Tenjin/Tengen com a aparência de um jovem sábio, com pergaminhos em suas mãos, sentado em contemplação. Em sua frente reside um recipiente para se depositar as oferendas. Nos pisos superiores ficam os quartos dos monges e as bibliotecas de Tenjin. O templo é mantido pela Irmandade de Shinsei e protegido pela família Asako da Fênix, portanto qualquer irmão de ambas as facções são bem-vindos neste local, que serve de embaixada para membros da Fênix.
Residente Atual: Asako Yohama
Visitantes Recorrentes: Monges da irmandade de Shinsei, visitantes em busca de inspiração, cortesão Ikoma pleiteando o acesso à biblioteca, diplomatas da Fênix.
24. Vilarejo Burakumin
Este vilarejo nas imediações de Beiden abriga uma população quieta e servil, que vive em uma realidade paralela do restante da cidade. Esta sociedade se divide em três grupo: aqueles que vivem do lixo, aqueles que vivem da morte e aqueles que trabalham com o couro de animais. Apesar das diferenças (e privilégios) que alguns destes grupos possuem em relação aos demais, nenhum deles é subordinado ao outro – acredita-se que os burakumin de Beiden sigam a liderança dos mais velhos e experientes da vila.A casta mais baixa e mais numerosa é a dos Coletores, os que vivem do refugo. Todas as manhãs, bem cedo, dezenas de burakumin coletores vão até as ruas de Beiden recolher o lixo, limpar as latrinas, recolher os detritos do estábulo e a sujeira acumulada na orla do rio. Fazem seu serviço rapidamente e são quase invisíveis aos olhos dos samurai. Eles trocam estes dejetos (adubo) por comida produzida pelos fazendeiros locais, o mais próximo que eles têm de uma interação além de seu círculo social. Às vezes acabam encontrando objetos de valor descartados ou perdidos, objetos estes que possuem um grande valor de troca dentro desta comunidade.
A casta “média” dos burakumin é a dos Funéreos, aqueles que trabalham com a morte. Eles são um grupo pequeno, se comparado aos coletores, mas seu trabalho exige perícia e, muitas vezes, lidar com samurais. Eles transportam o corpo após a morte até o crematório, aonde realizam todo o processo de limpeza e preparo, tendo o dever de deixá-lo pronto para que um monge ou shugenja conduza o rito fúnebre. Muitas vezes, quando um magistrado precisa de alguém para verificar um corpo ele recorrerá a um funéreo.
A casta mais elevada do grupo, e a numericamente menor, é a dos Curtidores, aqueles que trabalham com o curtume de couro. Apesar de seu estigma social, curtidores costumam lidar com indivíduos de casta elevada pois fazem o serviço que eles não podem mas precisam fazer. Curtidores preparam as peles que os comerciantes de Ide Temodai revendem. Eles acompanham comitivas de samurais em caçadas, para carregar animais abatidos e transformá-los em troféus. Curtidores tem uma vida bem melhor que a média dos burakumin pois geralmente recebem a carne dos animais abatidos como pagamento por seus serviços, além disso eles também recebem a maior das recompensas que um burakumin pode ter: são tolerados.
Após grandes batalhas é possível ver tanto coletores quanto funéreos vasculhando os campos. Os coletores procuram por qualquer objeto de valor que possam negociar, ou mesmo devolver para os samurais em busca de uma boa recompensa. Os funéreos separam mortos e feridos, preparam as piras e queimam os mortos. Curtidores não precisam pilhar campos de batalhas para sobreviver.
Além destes três grupos ainda existem os torturadores, mas são tão poucos (e raros) que não chegam a formar uma casta – normalmente é um funéreo com aptidão ou gosto pelo sofrimento, a serviço de um magistrado. Como Beiden está sem magistrados há tempos, não há um torturador em serviço. Torturadores vivem vidas miseráveis e solitárias, sendo desprezados até mesmo por outros burakumin .
Visitantes Recorrentes: Pessoas prestigiando uma cerimônia fúnebre, magistrados procurando um funéreo, burakumins realizando algum trabalho degradante.
25. Crematório
O crematório é o destino final de todos os que vivem na cidade e suas imediações. Os corpos dos falecidos são trazidos para cá por funéreos, onde são limpos e preparados. A partir daí, são levados novamente para suas famílias que realizam o rito fúnebre, velando o corpo por 4 dias. Ao fim deste período, são levados novamente ao crematório, onde seus corpos são incinerados. É então que os familiares mais próximos separam os ossos das cinzas, guardando em uma urna de cerâmica.Visitantes Recorrentes: Funéreos realizando o preparo de um corpo, familiares separando ossos em uma urna, monge realizando um rito de purificação.
Glossário
Akodo Tengen / Tenjin: em minhas pesquisas encontrei estes dois nomes se referindo ao mesmo personagem. Para critérios de padronização, vou assumir que a figura história Akodo Tengen foi elevado a posição de fortuna por Hantei III, passando a ser chamado por Tenjin. Como uma fortuna menor, sua figura está submetida a Fukurokujin, fortuna maior da Sabedoria, sendo reverenciado tradicionalmente por escribas, escritores e poetas, mas também por batedores e espiões, cujo trabalho muitas vezes dependem de códigos e cifras. É comum recorrer a Tenjin em busca de orientação e inspiração, sendo a forma mais comum de oferenda o ato de escrever um segredo em um pequeno papel e o queimá-lo na frente do ícone do templo.Burakumin: na Ordem Celestial da sociedade rokugani, os burakumin são grupos de hinin que lidam com serviços considerados impuros, como tratar os mortos, coletar dejetos e limpar campos de batalha. Alguns burakumins são treinados como torturadores para auxiliar o serviço de magistrados. Por seu estigma social, burakumins são desprezados – qualquer um pode matar um burakumin sem sofrer praticamente qualquer represália. Eles jamais falam na presença de um samurai, a não ser que seja requisitado. (Em Lenda dos Cinco Anéis, costumava-se usar o termo Eta, que é excessivamente pejorativo e ofensivo, portanto optamos por usar o termo burakumin, que é sinônimo, mas não carrega o mesmo estigma.)
Omoidasu: os bardos treinados pela família Ikoma. Cumprem um papel de suma-importância para o clã Leão – são historiadores, guardiões das leis e tradições, além de servirem como o “coração do clã”, podendo expressar seus sentimentos em público. Uma curiosidade sobre a escola de bardos é que aqueles que não têm um bom desempenho em seus gempukku acabam se tornando bibliotecários, não terminando seu treinamento como Omoidasu.
Shochu: uma variedade mais forte de sakê, produzida a partir de batata doce ou cevada. Possui o nome popular de "água de caranguejo".
Saudações Samurais
Com esta parte concluo minha introdução ao mini-cenário de Beiden.
No futuro pretendo explorar os ganchos de história e idéias de campanha.



