quinta-feira, 14 de julho de 2016

Etiqueta de Armas em Rokugan

Como lidar socialmente com armas

A katana é a alma do samurai, e a wakizashi sua honra.

A importância do Daisho

A utilização das duas espadas pelos samurais é um assunto amplamente discutido em vários tratados durante a história de Rokugan, e com uma boa razão. A qualidade das espadas de um samurai e a maneira como estas são portadas são grandes pistas para descobrirmos seu status e personalidade.
 
Primeiro, é importante entender que nem todos os membros da casta samurai possuem o direito de portar uma wakizashi e uma katana na forma de daisho. Poucos além dos bushi o fazem. Com poucas exceções, outros utilizam apenas a wakizashi combinada, simbolicamente, com uma tanto. Utilizar um daisho completo é o mesmo que anunciar ao mundo que o usuário é um espadachim habilidoso, que não necessita de proteção em batalhas e nem de representantes em duelos; este é um enunciado que poucos não-bushi desejam fazer.

Segundo, nem todos os daisho são reverenciados e gloriosos objetos passados de geração a geração. É bem mais provável que tenha sido produzido em massa pelos armeiros de seu lorde. Claro que isso não significa que os bushi tratarão suas armas menos respeitosamente, pois a espada é a alma do samurai que a carrega. Mas a maioria dos bushi comprará novas espadas assim que possuírem condições para tanto. Espadas de alta qualidade também são comuns como prêmios em torneios ou como presentes de lordes para seus seguidores de destaque. Uma vez adquirida, esta espada será orgulhosamente utilizada pelo samurai e será passada a seu herdeiro, eventualmente se tornando “a honrada lâmina de meus ancestrais”.

É perfeitamente legítimo para um samurai possuir várias espadas e a escolha de qual usar em determinada situação diz muito aos cortesãos mais perceptivos de Rokugan. Um bushi portando a espada que ele sempre carrega em batalha está dizendo “eu estou cercado de inimigos aqui” enquanto utilizar uma espada que foi recebida com um presente indica o desejo de honrar quem a deu. Claro que isso só é válido se o bushi em questão realmente possuir mais de uma espada.

O que fazer e o que não fazer

O modo como a espada é carregada ou embainhada também fornece pistas em relação à posição social do bushi. Bushi de pouco status utilizam suas espadas quase verticalmente em seu obi, de modo a não esbarrarem em ninguém. Aqueles de mais status permitem que suas espadas saiam um pouco mais para os lados e para trás, criando um pouco mais de espaço pessoal e indicando que esta é uma pessoa que espera que os outros saiam do seu caminho.


Quando adentrando na casa de outra pessoa, convidados de menor status que o anfitrião devem deixar suas armas na porta a não ser que eles recebam permissão específica para portá-las. É importante salientar que permissão para portar as espadas na casa de alguém não quer dizer permissão para usá-las; se for para derramar sangue, faça fora da casa.

Quando oferecendo a espada a alguém, a lâmina deve sempre estar dirigida a si, mesmo que embainhada.

Quando sentado, as espadas devem ser colocadas à direita, com o punho apontado em direção contrária ao anfitrião. Se elas forem colocadas à esquerda, elas são mais fáceis de desembainhar, o que indica hostilidade e suspeita, enquanto apontar o punho da espada em direção ao anfitrião pode ser interpretado como falta de respeito. Vale lembrar que todos os rokugani são treinados para serem destros. Não existe um único canhoto em todo o Império.  

A espada é retirada da obi com a mão direita, usando o dedo indicador para prender a guarda da espada. Usar a mão esquerda, com o polegar na ponta da guarda da espada, mostra desconfiança ou intenção de desembainhá-la.

Quando viajando, samurais colocam uma capa na empunhadura da espada para protegê-la. Esta capa também dificulta o ato de desembainhar a espada. Removê-la, ou não utilizá-la, é um sinal de agressão.

Existe também um restrito protocolo que dita como a espada deve ser afiada, polida ou mostrada. Tocar a espada de outra pessoa sem permissão é um grande insulto, podendo ser a causa de um duelo.
 

E outras armas?

Outras armas não são cercadas pela mesma mística e tradições elaboradas do daisho, mas algumas coisas são universais. Primeiro, enquanto o daisho é também um símbolo de status, outras armas e armaduras são ferramentas de guerra. Nos períodos de paz elas devem ser mantidas em casa (sejam guardadas ou em exibição). Quando em viagem, a menos que se esteja marchando para a batalha, armaduras são guardadas em baús especialmente construídos para guardá-las e armas são protegidas por bainhas e capas contra a poeira.

Um samurai que resolve seus afazeres diários utilizando armadura e carregando uma naginata ou tetsubo pode se ver, rapidamente, envolvido em diversos problemas – os camponeses irão temer uma pessoa que demonstre sinal tão obvio de violência enquanto os guardas e magistrados ficarão de olhos abertos aos movimentos desta pessoa. Sem mencionar o insulto que ele direcionará a seu anfitrião e ao lorde da província, implicando que eles não são capazes de manter a paz.

Em Rokugan, tais ações não podem passar despercebidas e um samurai que haja de forma a contrariar essas regras sociais logo se verá em apuros.

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