segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Toshi no Beiden - Pontos de Interesse 2

Beiden Central

A porção que se encontra entre o do Rio da Travessia e a Estrada de Beiden é a região mais movimentada da cidade, abrigando grande parte do comércio e dos estabelecimentos locais, sendo o verdadeiro ponto focal da maioria dos visitantes de Beiden. Essa também é a parte mais antiga da cidade, datando da sua fundação e, apesar de não ter sentido as muitas guerras com a mesma frequência e proximidade que a porção nobre, ela não sofreu menos e muitos dos prédios atuais foram construídos sobre as ruínas de antigos. 

Mesmo assim, a região é próspera e diversas construções locais acompanharam o crescimento econômico da província. Muitos dos estabelecimentos (principalmente aqueles que prestam serviços aos samurais) são grandes e exuberantes, exibindo sua opulência aos clientes. Tanta beleza, história e tradição renderam a alcunha de “Antiga Beiden” ou “Cidade Velha” para a região, que pode ser dividida em quatro “blocos” – o bloco Comercial, na extremidade oeste; o bloco das Artes, ao centro; o bloco dos Artesãos, na extremidade leste; e o Porto, beirando rio.


Principais Ruas de Beiden

Rua dos Mercadores: Sem sombra de dúvidas esta é a rua principal de Beiden e, certamente, a mais movimentada no período diurno. Isso se dá por ela cruzar a cidade até a sua porção sul, ligando a Estrada de Beiden à Rua do Templo. Por sua extensão se encontram alguns dos principais estabelecimentos da cidade, sendo os mais notáveis duas das maiores hospedarias da região, a Casa da Concha de Jade
 e a Casa das Flores de Inverno.

Rua dos Artesãos: Tal como a Rua dos Mercadores, esta rua também cruza a cidade, apesar de não atrair tantos transeuntes. Por toda a sua extensão essa rua possui diversas oficinas oferecendo os mais variados bens e serviços que possam ser manufaturados na cidade. Produtos valiosos costumam ser encontrados mais ao norte do rio, enquanto produtos mais mundanos ao sul do rio. É muito comum ver servos de samurais buscando repor estoques ou contratando serviços para os seus senhores.

Rua das Artes: Se a Rua dos Mercadores é a mais movimentada durante o dia, a Rua das Artes é aquela que atrai mais visitantes quando o sol se põe. Primorosamente iluminada com lanternas coloridas, nela se encontram diversos restaurantes, casas de chá e casas de sakê. Todos os festivais locais ocorrem em sua extensão, sendo que o Jardim de Benten é o ponto mais disputado nestes eventos.

Rua do Porto: Apesar da proximidade esta rua não se assemelha em nada à Rua das Artes. É por esta via que a maioria das mercadorias escoa pela cidade, sendo pouco atrativa para visitantes. À noite, ela é conhecida por ser mal-iluminada e perigosa.

Travessa da Sujeira: Não é exatamente uma rua, mas o local por onde, todas as manhãs, os eta passam para realizar seu trabalho de coletar a sujeira da cidade. Desnecessário dizer que nenhum samurai vem aqui.


Mapa em Alta Definição

7. A Toca

Um observador desatento não veria nada além de um aglomerado de sobrados altos, de dois ou três andares, e estabelecimentos fechados – estruturas humildes abrigando uma grande quantidade de moradores paupérrimos, em total desarmonia com a região mais próspera da cidade. A Toca é o mais próximo que Beiden teria de um gueto: cortiços em que residem famílias heimin com algum dinheiro ou prestígio para morar perto dos samurai, servos ji-samurai que trabalham na cidade e no castelo, ronins empregados por mercadores, filhos bastardos de samurais… são inúmeras as histórias e os motivos para alguém morar aqui.

Porém, a Toca esconde um elaborado submundo próprio – tarde da noite, entre o fim da hora do Cão e o início da hora do Javali, os estabelecimentos até então fechados se abrem e revelam casas de apostas e bordéis. Acredita-se que os kajinin da cidade tenham ligação com tais estabelecimentos e seus membros, mais de uma vez, se envolveram em brigas para proteger tais locais de fregueses insatisfeitos. Sabe-se que outrora houve até mesmo um covil de ópio ali, na época em que o escorpião governava, contudo os riscos se tornaram altos demais e os poucos traficantes que restaram na cidade passaram a atuar de forma mais discreta, especialmente depois da chegada do Leão.

Para os moradores de Beiden frequentar a Toca não é algo visto com bons olhos e os residentes de lá são estigmatizados como pessoas não confiáveis, mesmo que nada tenham a ver com as atividades locais. Poucos samurais vêm até aqui sem um bom motivo, mas o local é um ponto procurado por viajantes com algum dinheiro e que busquem uma saída rápida para o tédio.

Visitantes Recorrentes: Morador da Toca, membro de gangue kajinin, hinin local com uma proposta indecorosa, visitantes em busca de diversão, heimin alcoolizado.


8. A Casa da Concha de Jade

Propriedade de Yasuki Tsubame. A Concha de Jade é um estabelecimento grande, tão grande quanto a ambição da família Yasuki. Criada exclusivamente para confrontar a Casa das Flores de Inverno, a hospedaria rival, A Concha de Jade investe ano após ano para aumentar seu tamanho e a qualidade de seus serviços.

A hospedaria, apesar de não ser tão encantadora quanto sua rival, está acima da média para uma típica hospedaria rokugani. Seus custos também estão abaixo da concorrência, portanto, se tornam bem atrativos para comerciantes heimin – o que é intencional para aproximar tais mercadores da influência de Tsubame-sama, que oferece descontos e “presentes” para clientes e aliados em potencial. Contudo, a Dokufu é conhecida por seu temperamento forte e essa hospitalidade pode, rapidamente, se tornar tão rígida quanto a rocha.

A Concha de Jade possui um restaurante próprio que serve uma variedade exclusiva de chás cultivados nas províncias Hida. Tsubame não vende essa variedade para seus concorrentes por nenhum valor, sendo este um diferencial da sua casa. Os quartos disponíveis são simples e honestos, sendo que os mais novos possuem um acabamento belo e digno de samurais, enquanto os mais antigos são apenas “adequados”. A hospedaria serve de embaixada para membros do clã Caranguejo, porém Tsubame costuma servir os quartos mais simples ao seu clã, a não ser que o hóspede seja realmente importante – de fato, samurais do Caranguejo não costumam se importar com isso.

Residente Atual: Yasuki Tsubame
Visitantes Recorrentes: Diplomatas do Caranguejo, comerciantes em viagem, hóspedes diversos.


Akaishiro, O Castelo Vermelho

No coração de Beiden existe uma grande estrutura murada envolta em mistérios. Ela se localiza entre dois dos maiores, mais renomados e seletivos estabelecimentos da cidade, mantendo seu interior oculto das vistas das pessoas com seus muros altos e telhados vermelhos. Tamanho sigilo rendeu-lhe o nome de Akaishiro e gerações de heimin apenas sonham com o que tem em seu interior, cercando o local de boatos e lendas urbanas de todos os tipos. 

No entanto, tais mistérios não são nenhum tabu para os samurais. Todos sabem que Akaishiro não é nenhum castelo, ainda assim, ele é o orgulho da família Shosuro em Beiden. Ali eles criaram um conjunto de prédios de extrema beleza para contemplar aos seus seletos convidados. Akaishiro também é conhecido como o Complexo das Artes da família Shosuro, destino que muitos amantes das artes de toda Rokugan almeja visitar ao menos uma vez.


Akaishiro é composto por três estruturas principais: a Casa das Flores de Inverno, que concede sua entrada pela Rua dos Mercadores; a Casa da Lótus Rubra, que concede sua entrada pela Rua do Lago com a Rua das Artes; e o Caminho das Flores, que divide as duas estruturas. Além delas, existe um pequeno jardim dedicado a Sadahako, fortuna das geishas e artistas, e uma casa de banho.


9. Casa das Flores de Inverno [Akaishiro]

Propriedade de Shosuro Korahime. Majestosa e encantadora são palavras que podem descrever a Casa das Flores de Inverno, possivelmente uma das mais deslumbrantes hospedarias do Império. A construção é alta, detentora de três andares bem distribuídos em quartos grandes e luxuosos, apesar do piso térreo ser basicamente uma grande área de convivência. Seus corredores são amplos e decorados com grandes pinturas e exibições de dezenas de esculturas, retratos e arranjos florais, concebidos pelas mais hábeis mãos da família Shosuro, formando um verdadeiro mundo de vermelho, preto e dourado, elaborado exclusivamente para atender aos mais ricos e exigentes padrões.

Conseguir uma hospedagem na Casa das Flores de Inverno exige riqueza ou influência e, de fato, uma boa indicação é mais valiosa que koku. O Escorpião gosta desta exclusividade, contudo, Shosuro Korahime sabe que tamanha especificidade tornaria a hospedaria vazia na maior parte do ano, então, esporadicamente ela oferece uma estadia como presente, recompensa ou troca de favores, convidando diversos samurais de diversas partes, assegurando-se de que sempre tenha alguém digno de nota na hospedaria. Como uma boa jogadora do campo político, Korahime é sagaz ao usar seus hóspedes, seja como um aliado em potencial, seja como um embuste ou mesmo um passa-tempo.

Com as guerras e perda do governo local, esta estalagem passou a servir de embaixada para o clã Escorpião, até que a situação seja normalizada.

Visitantes Recorrentes: Shosuro Korahime, diplomatas do Escorpião, samurais ricos, poderosos, artistas e cortesãos.


10. O Caminho das Flores [Akaishiro]

Este vasto labirinto preenche o interior de Akaishiro, dividindo o espaço entre a Casa das Flores de Inverno e a Casa das Lótus Rubra. Seus corredores são largos, de modo que duas pessoas possam caminhar confortavelmente lado a lado, e sua vegetação é densa, impossibilitando a vista do que há do outro lado. Os arbustos são podados na forma de paredes que atingem dois metros e meio de altura, sendo praticamente intransponíveis e qualquer um que tentar atravessá-los terá que que fazer um tremendo esforço, ficando coberto de folhas, flores, arranhões e vergonha. Sua folhagem é de um tom predominantemente verde-escura, mas, exibe pequenos botões e flores lilases e vermelhas, que desabrocham no inverno tornando o Caminho especialmente espetacular.

A arquitetura do labirinto não é das mais complexas, afinal, ninguém gostaria de ficar realmente perdido ao percorrer o Caminho das Flores, sendo assim, qualquer um consegue concluir seu percurso em até um quarto de hora rokugani. Há quem diga que, na verdade, ele foi projetado com a intenção de proporcionar longas e discretas caminhadas, de modo que as pessoas pudessem conversar sem serem vistas nem ouvidas, mas ainda preservando sua face. Ao anoitecer o labirinto é iluminado por lanternas, algumas delas indicando a direção das saídas. Contudo, alguns pontos mal-iluminados persistem, locais onde os visitantes podem ir por sua honra em risco.

Visitantes Recorrentes: Hóspedes curiosos ou entediados, samurais transitando entre os estabelecimentos, amantes em busca de alguma privacidade, conspiradores.


11. A Casa da Lótus Rubra [Akaishiro]

Propriedade de Shosuro Korahime. Esta célebre casa de geishas patrocinada pelo clã Escorpião possui todas as características que tornaram os Shosuro renomados – ela proporciona uma atmosfera totalmente inebriante, um mundo de encantos capaz de acalentar até mesmo o mais austero samurai. A Casa da Lótus Rubra segue o mais rigoroso padrão Shosuro, garantindo que recebem o melhor tratamento imaginável.

É muito comum hóspedes da Casa das Flores de Inverno visitarem a Lótus Rubra, sendo possível inclusive requisitar uma geisha ou taikomochi particular ao se hospedar. Na maioria das vezes a okaasan indicará o mais apropriado de acordo com o perfil do cliente, mas, eventualmente, a própria Korahime fará tal indicação, especialmente para hóspedes que considere de grande importância. Ela afirma que apenas deseja se assegurar de que seus convidados tenham a melhor impressão possível, durante a sua estadia.

Nos fundos da Casa da Lótus Rubra, junto à passagem para o labirinto, existe uma pequena Casa de Banho. Este local é de acesso livre para qualquer hóspede de Akaishiro, e nele é possível usufruir de banhos terapêuticos, massagens, acupuntura e outras formas de medicina relacionadas pureza corporal. Um jardim separa a Lótus Rubra da casa de banho, tão belo e bem cuidado quanto todo o resto da propriedade. Este jardim é dedicado a Sadahako, fortuna das geishas e artistas. No lago do jardim é possível encontrar flores de lótus vermelhas.

Visitantes Recorrentes: Shosuro Korahime, geisha ou taikomochi dedicados, samurai embriagado.


12. Jardins de Benten

Os jardins de Benten ocupam uma quadra exata no coração da cidade, entre a Casa da Lótus Rubra e o Teatro Shosuro. É composto por uma lagoa de carpas cruzada por uma pequena ponte e ornado por árvores antigas. Apesar de não haver uma estátua ou um oratório dedicado à Benten, a população local tradicionalmente dedica este jardim à Fortuna dada a sua beleza e ao costume dos jovens apaixonados de subir até o centro da ponte para fazem orações e pedir suas  bênçãos.

Visitantes Recorrentes: Jovens apaixonados, boêmios e amantes dos prazeres da vida.


13. Teatro Shosuro

Propriedade de Shosuro Korahime. O grande e imponente teatro Shosuro está aberto para qualquer samurai que desejar prestigiar o trabalho dos renomados butei da família. Independente da época e das guerras, os Shosuro nunca deixaram de apresentar, semanalmente, seus espetáculos. Korahime tem muito orgulho do teatro, sendo que ela mesma costuma frequentar às apresentações, normalmente acompanhando algum convidado ilustre ou grupo de amigos.



O Teatro serve de dojo para a família Shosuro, onde podem treinar diversas de suas artes. Um sensei butei supervisiona todos os processos do teatro, desde o roteiro e a pré-produção, até os ensaios e as apresentações. Um mestre artesão confecciona as máscaras dos atores e, dizem, são algumas das mais bem produzidas pelo clã.

Visitantes Recorrentes: Shosuro Korahime, atores Shosuro, amantes das artes.


14. O Tanuki Bêbado

Poucas casas de sakê ganham tanto renome quanto o Tanuki Bêbado. Na verdade, por estar situada no fim da rua das Artes se tornou o local preferido para samurais boêmios, que não desejam beber na companhia dos heimin da rua do sakê. Desde a chegada do Leão, se tornou o lugar preferido por eles para apreciar um bom sakê, quando estão de folga.

Visitantes Recorrentes: Samurais boêmios, amantes das artes, samurais embriagados, membros da força de paz (de folga).


15. Refúgio do Leão

Costumava ser uma pequena e modesta hospedaria na beira da estrada de Beiden, conhecida apenas por ser a mais barata da cidade. Apesar de ser tão antiga quanto as demais casas da região, esta hospedaria nunca atingiu qualquer renome. Tudo mudou com a recente chegada do Leão, que confiscou o prédio e o transformou em seu quartel e, mais importante, sua embaixada.

O Refúgio do Leão abriga os samurai do clã que estão de serviço na cidade. Uma vez que esta força de paz não é um exército invasor, Ikoma Riyoshi achou que seria desrespeitoso manter seus 200 homens no castelo da governadora, sendo assim, ele alocou parte deste homens na Torre da Guarda, quando estão de serviço, e parte na antiga estalagem, quando estão de folga.

Visitantes Recorrentes: Ikoma Riyoshi, oficiais do Leão, diplomatas do Leão, membros da força de paz (de folga).


16. Arsenal do Leão

Antiga propriedade de produtores de sakê, esta estrutura foi confiscada pelo clã Leão e convertida em um depósito para o seu exército. No antigo galpão que se estocava arroz agora se guardam mantimentos, provisões, rações para os cavalos e materiais perecíveis, enquanto no salão em que era produzido o sakê agora se armazenam armamentos, ferramentas, medicamentos e matérias-prima como madeira, pedra e ferro.

Os Ikoma têm conduzido a aquisição e o confisco de muitos destes materiais e boa parte deles é estocada aqui antes de ser remanejada e enviada para a Vigília de Beiden, nas montanhas Seikitsu, ou para o território do Leão. O Conselho Mercante está atento esse interesse dos Ikoma por mercadorias mas ainda não tomou uma posição exata em relação a isso – na verdade Ide Temodai se adiantou e até mesmo começou a comercializar com o Leão. Desnecessário dizer que este prédio é muito bem protegido pelos pacificadores.

Visitantes Recorrentes: Ikoma Riyoshi, oficiais do Leão, membros da força de paz (em serviço), carregadores heimin manejando os estoques


17. Torre da Guarda

Uma estrutura impressionante, com cerca de 60 metros de altura, detentora de paredes de alvenaria branca e um grande telhado vermelho em forma de pagode. Esta torre permite ter uma visão privilegiada de toda a província até a Passagem de Beiden, possibilitando que qualquer comandante consiga observar potenciais ameaças com muita antecedência.

Apesar disso a estrutura nunca foi tida como uma boa posição defensiva, salvo a possibilidade de alocar uma grande quantidade de arqueiros em seu topo e em suas inúmeras seteiras, pouco poderia fazer para, efetivamente, defender a cidade e o castelo durante uma invasão. Não é atoa que o Leão a usa quase que exclusivamente como posto de observação e base de operações de sua força de paz.

A torre possui 20 andares, mais dois subsolos. A maioria destes andares serviriam de caserna para ashigarus, além de depósitos, arsenais, cozinha, e tudo mais que uma fortificação poderia necessitar para operar e resistir a possíveis cercos. O último andar é uma grande varanda com uma vista ampla. O subterrâneo possui mais depósitos, além de celas para prisioneiros, uma câmara de tortura e uma porta de ferro que está trancada e nenhum meio testado até agora conseguiu abrir. Ikoma Riyoshi suspeita que possa ser uma passagem de ligação, possivelmente um túnel que conduz até o Castelo.

Visitantes Recorrentes: Ikoma Riyoshi, oficiais do Leão, membros da força de paz.


18. O Conselho Mercante

A maior herança que Daidoji Sanjuro deixou para Beiden certamente foi seu Conselho Mercante. Neste local ocorrem as reuniões de um seleto grupo de patronos mercantes de Beiden e costumava ser presidido pelos Daidoji. Porém, tudo mudou desde a morte de Sanjuro, a começar pela saída dos Garça, deixando o Conselho livre de suas amarras. Atualmente, Ide Temodai, Yasuki Tsubame e Watanabe Fuji mantém escritórios onde discutem questões comerciais, propõe acordos e resolvem disputas. As reuniões oficiais são esporádicas e vem diminuindo cada vez mais sua frequência, possivelmente outro reflexo da morte de Sanjuro. Mesmo assim, os antigos cômodos dos Daidoji permanecem intocados, sendo que o Conselho não poderia negar à samurais da Garça o livre-acesso a este estabelecimento. Sendo assim, a sede do Conselho Mercante pode ser considerada uma embaixada para membros do clã Garça, apesar de ser uma escolha improvável.

Shosuro Korahime, apesar de ser patrona de muitos estabelecimentos, não se considera parte do Conselho. De fato ela não se importa com questões menores e que envolvam dinheiro – seu negócio é a política, e ela só se reúne com o Conselho se for de seu interesse.

Este pensamento é similar ao de Hyogo, mestre ferreiro do Sopro do Dragão, que até foi convidado para algumas reuniões do Conselho, mas não se atém a questões tão materialistas quanto o comércio. Ele está muito mais dedicado à sua causa e sua busca de aperfeiçoamento de suas artes.

Visitantes Recorrentes: Patronos mercantes, comerciantes buscando acordos comerciais, diplomatas da Garça.


19. Mercado

O mercado é uma área grande que contempla uma feira a céu aberto e as lojas que a cercam. Todos os dias é possível comprar uma infinidade de produtos, principalmente alimentícios, como grãos, frutas, vegetais, peixes frescos e secos, carne de aves e de porcos, ovos e especiarias. Também pode-se comprar roupas e tecidos nas lojas ao redor da feira central. Em algumas lojas compra-se inclusive produtos mais exóticos, como carne seca e leite.


Os produtos do mercado atendem às necessidades cotidianas do povo de Beiden. Como a maioria dos samurais considera relações comerciais inapropriadas, é muito provável que servos de samurais venham aqui repor produtos para as casas de seus senhores. Em geral, o mercado oferece produtos diversos em quantidades modestas – grandes acordos comerciais, envolvendo mercadores, estabelecimentos, logística e tarifas ocorrem no Conselho Mercante.

Visitantes Recorrentes: Vendedores e compradores diversos, servos fazendo compras para seus senhores, kajinin extorsionista, discípulo de Hyogo prestativo.


20. O Sopro do Dragão

Uma oficina, um dojo e um templo, estas são algumas das definições para o Sopro do Dragão. Este estabelecimento é o lar de Hyogo, um misterioso mestre armeiro que chegou a Beiden anos atrás, quando o Leão dominava a cidade. Naquela época ele obteve a permissão para abrir sua oficina onde ele poderia abrigar órfãos da guerra, educá-los nos caminhos de Shinsei e no ofício da forja.

Atualmente alguns dos discípulos de Hyogo já são quase adultos, o que pode representar uma mudança de paradigma no futuro próximo da cidade, uma vez que são camponeses bem educados, respeitados e incontestavelmente honestos. Apesar disso, não estão livres de problemas e alguns deles possuem um tipo de rixa com os kajinin locais, com quem acabam entrando em ocasionais brigas de gangue – a maior delas causou grande alvoroço e desordem no mercado. Contudo, até o momento, nenhuma morte foi relacionada a estas brigas.

O Sopro do Dragão oferece seus serviços a qualquer samurai que necessitar de uma forja, contudo também prestam serviços à comunidade. Tudo é feito de forma ritualística, quase monástica – todas as manhãs, bem cedo, Hyogo faz exercícios de meditação com seus alunos, seguidos de exercícios físicos ou ensinamentos filosóficos. Quando a oficina está aberta, tudo é conduzido com todo o respeito que os kamis da terra e do fogo merecem. Como parte da barganha com o Leão, o estabelecimento é considerado uma embaixada para o clã Dragão.

Residente Atual: Hyogo
Visitantes Recorrentes: Samurais em busca de um armeiro, camponeses necessitando de ajuda, diplomatas do Dragão.


21. Porto

Se a passagem de Beiden é o ponto mais importante de Rokugan, o Porto de Beiden é, possivelmente, o segundo. Muita da mercadoria negociada na cidade em algum momento passa pelo porto ou fica armazenada em seus galpões, antes de ser despachada para os mais diversos destinos no Império. Por este motivo ele é controlado com punhos de ferro pelo Conselho Mercante, em especial por Watanabe Fuji, que ascendeu em importância junto ao Conselho logo após a saída dos Daidoji, uma vez que tem acesso às rotas fluviais e marítimas dos Yoritomo.


Todo grande clã de Rokugan possui ao menos um galpão no porto, mesmo que não possua um representante ou patrono oficial na cidade. O Conselho Mercante garante a proteção dos seus interesses de seus amigos e rivais, e honram os negócios de todos os clãs pois, apesar de tudo, todos pagam suas tarifas portuárias. Por isso, roubos e saques de armazéns são raros, apesar da região portuária não ser das mais seguras.

Visitantes Recorrentes: Estivadores e marinheiros, kajinins em alguma atividade questionável, fiscais a serviço do Conselho, pescadores.

Glossário

  • Butei: termo rokugani para Ator. A família Shosuro é conhecida por ter alguns dos maiores atores de Rokugan, além de possuir uma escola totalmente dedicada às artes cênicas.
  • Embaixada: Em capitais e grandes cidades as embaixadas costumam ser a residência oficial de embaixadores. Em Toshi no Beiden tradicionalmente se oferecem quartos do castelo para os diplomatas dos clãs. Contudo, alguns estabelecimentos locais possuem uma forte ligação com determinado clã, e adquirem o reconhecimento de “pequenas embaixadas”. Na prática, são locais em que samurais de menor renome ou relevância política podem recorrer para encontrar um refúgio amigo.
  • Kajinin: Um grupo de bombeiros. Alguns agem como uma gangues de rua.
  • Patrono Mercante: O representante de uma família samurai que patrocina mercadores e artesãos camponeses. Um patrono fornece amparo físico, legal e financeiro a seus vassalos, em troca de uma porcentagem de seus lucros (normalmente um décimo). Alguns patronos mercantes tomam o controle direto dos negócios de seus vassalos, mesmo isso indo contra os ideais samurai que desprezam o comércio. Contrariando a rígida estrutura de vassalagem rokugani, é possível que um mercador abra mão de um patrono em detrimento de outro que ofereça maiores benefícios. Isso pode gerar situações de conflito entre os patronos e a concorrência entre eles pode acarretar uma situação inversa e absurda em que os mercadores heimin adquirem maior poder de barganha que seus patrões samurai. Uma afronta a Ordem Celestial.
  • Okaasan: termo rokugani para Mãe. Em uma casa de geishas, se refere à responsável pelo estabelecimento (seria como a “mãe” das geishas). 
  • Sadahako: Fortuna menor das geishas e artistas, especialmente reverenciada pelas famílias Kakita e Shiba. Viveu no século V, sendo concubina de diversos imperadores, em especial Hantei VIII, que a declarou como Fortuna após sua morte.
  • Taikomochi: equivalente masculino para geisha, normalmente usam tambores (taiko). Eles contrariam o ideal masculino rokugani: espalhafatoso, barulhento e bem-humorado, eles contam piadas e histórias escandalosas, além de bajular aquele que servem.



Saudações Samurais

Mais uma etapa vencida, enfim conclui a seção sobre Beiden Central.
De verdade, não achei que demoraria tanto... Cheguei até mesmo a cogitar dividi-la em duas publicações, mas isso iria conflitar com a minha proposta inicial de uma publicação por seção da cidade.

Em seguida detalharei Beiden Meridional.
つづく

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Toshi no Beiden - Pontos de Interesse 1



Apesar de ser a cidade que possivelmente testemunhou o maior número de conflitos na história de Rokugan, Beiden é uma cidade relativamente próspera. Parte desta prosperidade é devido a forte relação comercial da cidade, sendo um entreposto que conecta as rotas mercantes do norte com o sul, a cidade ganha fortunas apenas com imposto e tarifas comerciais. Isso sempre foi um alívio para os Yogo que, historicamente, governaram a cidade e a província, uma vez que suas terras sempre foram pobres e improdutivas. Infelizmente, tais riquezas sempre despertou olhares gananciosos, até mesmo de alguns membros do clã Escorpião.

Toshi no Beiden é uma cidade pequena, se levar em conta a sua importância. De fato é perceptível a falta de empenho do clã Escorpião em urbanizar a cidade, resultando em um estranho meio-termo entre uma cidade moderna, com grande casas e estabelecimentos para samurais e comerciantes ricos, e uma cidade rural, com oficinas de artesãos, mercado a céu aberto e fazendas ao sul. Há quem diga que a cidade se manteve neste porte por preferência (ou descaso) dos Yogo, muito focados em suas feitiçarias e traições, contudo, há também quem diga que o Escorpião não vê sentido em urbanizar a cidade, uma vez que ela cumpre perfeitamente o seu papel de entreposto comercial – se você busca extravagâncias, certamente diriam que Ryoko Owari lhe proporcionaria uma experiência muito mais interessante.

Há também uma outra causa possível para a situação da cidade: o ponto de vista estratégico. É notável que Beiden carece, inclusive, de boas posições defensivas. A cidade nem mesmo possui uma muralha externa ou fortificações defensivas ao longo da província – de fato, os Ikoma tinham a intenção de fortificar a cidade, mas os planos não saíram do papel. Alguns estrategistas cogitam que a falta de defesas aprimoradas é intencional, uma vez que a cidade constantemente muda de mãos e qualquer fortificação poderia ser usada contra o Escorpião em possíveis retomadas. Esta estratégia não faz o menor sentido na cabeça de um Kaiu ou Akodo, mas vindo do Escorpião, tudo é possível...


Beiden Setentrional

A seção norte da cidade pode ser considerada tudo que fica acima da Estrada de Beiden. Esta é, sem sombra de dúvidas, a porção mais rica da cidade, onde residem algumas das figuras mais notáveis e importantes da província. Grandes propriedades muradas e bem protegidas se alinham à estrada, ao lado do castelo do governador daimyo, muito bem vigiadas e protegidas pela guarda. Ironicamente esta é a região mais assolada em tempos de guerra, devido sua proximidade com o castelo. Talvez por isso ela apresente alguns dos mais modernos e mais belos prédios de toda Beiden. Além dos casarões, existem inúmeras colinas arborizadas, que proporcionam uma bela vista para o norte, terminando nas Montanhas Seikitsu.


Mapa em Alta Definição

A Estrada de Beiden

Esta longa estrada parte de Kyuden Bayushi e segue cruzando a província, até o desfiladeiro e a Passagem de Beiden, nas montanhas. Esta estrada larga é, possivelmente, a mais bem-cuidada estrada do território Escorpião, possibilitando uma rápida movimentação de tropas na região.

1. Shiro Beiden

Este castelo ancestral é possivelmente um dos que mais viu batalhas em todo o Império. Sua arquitetura é prática e tradicional, para um castelo rokugani. Suas muralhas externas são altas, localizadas sobre uma elevação de pedras artificial, os corredores externos mal conseguem ser banhados pela luz do sol – corredores estes que contornam todo o castelo, até terminarem em um pátio principal. A torre central do castelo fica sobre outra elevação de pedras, estas, contudo, muito mais trabalhadas, que as externas (é possível observar pequenos escorpiões de granito adornando as rochas).

A torre de Shiro Beiden abriga os aposentos do governador e de sua família imediata, além de aposentos para convidados especiais, como membros das famílias imperiais, outros membros do kuge e convidados do daimyo. A torre também sedia a corte de Beiden, em um grande salão amplo, com galerias no andar superior, onde várias delegações poderiam compartilhar um debate – apesar de seu tamanho esta corte dificilmente seria capaz de comportar uma corte de inverno Imperial. No momento, Miya Katsuko evita sediar a corte, que se mantém fechada a até segundas ordens.

Além da torre, o Castelo ainda abriga um pequeno pavilhão para visitantes: um alojamentos confortável, capaz de abrigar diplomatas e pequenas delegações. Ao lado do pavilhão se encontra um alojamento para os samurais que servem no castelo (ji-samurai que auxiliam nas tarefas cotidianas), um dojo para bushis (atualmente sem um sensei, mas que costumava abrigar a escola de bushis Bayushi), uma caserna para os ashigaru (atualmente desocupada), uma torre de vigia e um grande jardim murado, com belos arranjos florais, mesas de go e um lago de carpas. Oficiais do Leão que não estejam na Torre da Guarda (mais detalhes no próximo Post) podem estar alojados no pavilhão de visitantes.

É notável a ausência de uma biblioteca, ou qualquer indício de um dojo de shugenjas, no castelo. Isso pode soar estranho, uma vez que a fortificação pertenceu, na maior parte de sua existência, à família Yogo. Contudo, dada a maneira com sigilosa que os Yogo cuidam de seus assuntos, não é de se espantar que seus segredos estejam muito bem guardados, em outro castelo.

Residentes Atuais: Miya Katsuko (governadora provincial), Seppun Benje (aposentos imperiais), Ikoma Riyoshi (aposentos de convidados), Doji Takeshi (aposentos de visitantes), e Yogo Eiko (seus aposentos pessoais).
Visitantes Recorrentes: Diplomatas dos clãs, oficiais do Leão, patronos mercantes.

2. Casa do Magistrado

Esta grande casa pode abrigar um magistrado, sua família e um grupo de yorikis, além de salas para reuniões e um grande pátio para treinamento. A propriedade estava ocupada por magistrados Soshi, porém, encontra-se abandonada desde a chegada do Leão. Muitos são aqueles que gostariam de adquiri-la, pois sua posição é a mais privilegiada da cidade: fica ao lado do castelo, na Estrada do Daimyo. Contudo, Seppun Benje gostaria de mudar essa situação e formar um novo corpo de Magistrados.

3. Posto de Checagem

Uma pequena casa em que funcionários averiguam documentos de viagem. Antigamente, eles subordinados aos magistrados locais, a quem recorriam em caso de discrepâncias ou problemas. Atualmente o serviço está sendo feito pelo Leão, sob os cuidados de um burocrata Ikoma.

O local também opera como um serviço postal – ao escrever uma carta, você pode deixá-la sob os cuidados deste posto e ela será enviada para o destinatário assim que o mensageiro provincial passar pela cidade. Da mesma forma, cartas enviadas por meios comuns, endereçadas a Beiden, chegam a este posto e, então, são redirecionadas para seus destinatários na cidade.

4. A Casa dos Aromas Exóticos

Propriedade de Ide Temodai, esta casa de chá e hospedaria é conhecida por oferecer produtos estrangeiros, flertando com a proibição imperial. Em seu interior é possível consumir bebidas fortes, feitas à base de frutas e, para os mais ousados, leite de égua fermentado (kumis). A comida apresenta sabores e temperos marcantes, mas a maior excentricidade deste estabelecimento são os fumos que eles oferecem. Ervas aromáticas são aquecidas junto ao carvão, para ser consumidos em kiserus especiais. A casa não possui geishas, apenas atendentes que fazem o melhor servir seus clientes. Músicos se apresentam ocasionalmente, tocando instrumentos de percussão obviamente gaijin. Não é de se espantar que a maior parte do público desta casa seja oriunda do clã Unicórnio, contudo, muitos são atraídos até seu interior pela curiosidade. A hospedaria serve de embaixada para o clã Unicórnio.
Residente Atual: Ide Temodai
Visitantes Recorrentes: Diplomatas do Unicórnio, comerciantes em viagem, samurais jovens e curiosos.

5. Estábulos

Propriedade de Ide Temodai. Estes estábulos oferecem desde cuidados para cavalos de viajantes, até mesmo a compra e venda destes animais. Tem em sua disposição, cavalos de origem Ide, Shinjo e Moto, que oferece por valores exorbitantes. Sabe-se que Temodai está cuidando das montarias do clã Leão, com quem negocia seus animais, tendo até mesmo presenteado Ikoma Riyoshi com um capado Moto.
Visitantes Recorrentes: Ide Temodai, oficiais do Leão, viajantes

6. Casarão Shosuro

Propriedade de Shosuro Korahime. Esta grandiosa e opulenta residência é, sem sombra de dúvidas, uma das mais belas da cidade. Curiosamente, Shosuro Korahime quase não se encontra nela – vive atarefada em seus inúmeros negócios. Eventualmente Korahime realiza reuniões com amigos em sua casa, em grandes saraus em que apreciam obras de arte, realizam debates e jogam sadane. Eventualmente, Korahime realiza reuniões mais privativas, com amigos mais seletos.
Residente Atual: Shosuro Korahime
Visitantes Recorrentes: Artistas e cortesãos convidados, pretendentes apaixonados, joguetes iludidos.


Nas próximas publicações detalharei Beiden Central e Beiden Meridional
つづく

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A Crise de Beiden



Recentemente iniciei uma curta campanha de Lenda dos Cinco Anéis com o gancho inicial da aventura Chuvas Negras, de Camilo Mallone. A aventura correu bem, levando os personagens à província de Beiden em meio a uma crise política entre os clãs, travados em uma guerra fria aonde qualquer deslize poderia desencadear novos massacres.

Após alguns dias na cidade, meus jogadores descobriram uma forma de contornar esta crise e seguiram sua jornada, deixando-a para trás. Contudo, eu gostei muito da premissa inicial do conflito, então decidi ampliar e compartilhar este cenário.


Por que Beiden?

Rokugan possui dezenas de cidades interessantes e cheias de histórias e possibilidades. Ryoko Owari, a Cidade das Mentiras, é magistralmente bem detalhada no conjunto City of Lies, da primeira edição, assim como Otosan Uchi e até mesmo (mais recente) a Segunda Cidade ganhou uma caixa inteira dedicada ao seu mini-cenário. Além deles, temos o suplemento Strongholds of the Empire, cheio de propostas de cidades para sediar suas campanhas, além de diversas aventuras que detalham (em maior e menor grau) inúmeras cidades de Rokugan.

Com tantas boas possibilidades, por que usar Beiden?
Particularmente, eu sempre gostei da cidade, desde a primeira vez que li sobre ela. O conceito de uma vila, no meio do império, próximo às fronteiras de três grandes clãs, que não teria nenhuma importância não fosse a proximidade da maior encruzilhada de Rokugan, ligando o sul e o norte. Sempre foi dito que Beiden era importante, mas, ironicamente, não havia nenhum material oficial sobre a cidade que expandisse as informações além do básico. Ao ler o conteúdo da Província Naishou, fiquei pensando como aquele cenário poderia facilmente ter sido elaborado para Beiden, o que me agradaria muito mais do que uma província que não existe em “qualquer lugar e lugar nenhum”.

Então, decidi fazer eu mesmo uma adaptação – catei informações nos livros e na wikia, me baseei no recente Atlas de Rokugan, me inspirei no conflito de Naishou e costurei em um mini-cenário que, espero, faça jus à Lenda dos Cinco Anéis.

Se você conhece Naishou, vai encontrar algumas similaridades em alguns NPCs. Busquei ser o mais neutro em relação ao período em que o jogo se passa ao não referenciar personagens importantes (por isso uso daimyo Yogo e Daidoji, ao invés de personagens específicos). Contudo, se sua campanha segue a cronologia oficial de L5A, a passagem é destruída em 1150 no desfecho da Segunda Batalha da Passagem de Beiden, ao final da Guerra dos Espíritos. Depois deste evento a província perde quase que totalmente a sua importância.


Histórico Recente

O comércio é um Rio, e aquele que controlar a Passagem de Beiden pode represar este rio
Provérbio Rokugani


 O daimyo da família Yogo casou sua única filha, Yogo Eiko com Daidoji Sanjuro, segundo filho do daimyo Daidoji. A barganha decorreu após uma aliança que permitiu que o Clã Escorpião retomasse a posse da província de Beiden, que esteve sob o jugo do Leão por três anos. Como resultado dessa união, Sanjuro se tornou governador da cidade de Beiden, fortalecendo o poder econômico da Garça sem se intrometer diretamente nos interesses do Escorpião.

Cinco anos de prosperidade se passaram desde o conflito, contudo, Sanjuro veio a falecer sob circunstâncias misteriosas – foi encontrado em seus aposentos, envenenado. Sua morte deixou a província em uma situação política extremamente delicada: a Garça reivindicou o direito ao governo de Beiden como sinal da boa fé dos Yogo e da inocência do Escorpião sobre a morte de Sanjuro, entretanto, logo após a morte, a cidade rapidamente passou a ser governada por Bayushi Kazumi, primo distante de Yogo Eiko.

A Garça alegou então que a morte de Sanjuro foi premeditada, uma clara traição por parte dos Escorpiões e mobilizou seus exércitos para a região. O Escorpião contestou, argumentando que, uma vez que não haviam descendentes de Sanjuro e Eiko a província passaria para as mãos de quem tradicionalmente pertenceria (do Escorpião), e que defenderiam suas terras contra qualquer invasor. Era evidente que a província sofreria novamente com a guerra.

Os Daidoji realizaram uma investida veloz e implacável que lhes garantiu uma série de vitórias, tomando toda a porção norte da província. Ao chegar aos muros de Shiro Beiden houve uma proposta de duelo em que o general Daidoji enfrentaria o governador Bayushi, definindo, então, o destino de Beiden. Porém, as Fortunas foram cruéis e o resultado obtido foi um golpe cármico, que resultou na morte de ambos.


A rápida escalada de tensões logo teve uma resposta: com o pressuposto de evitar um massacre ainda maior, o Leão interviu. Seus emissários e legionários chegaram dias após o duelo, em um momento em que ambos os exércitos se organizavam para uma nova batalha. Os Leões tinham o aval das famílias imperiais e um governo interino foi estabelecido – um Imperial assumiria o controle da província até que os Clãs chegassem a solução de tamanho impasse.

Foi ordenado que os exércitos dos Clãs deveriam se manter a uma distância segura da cidade, com a exceção de uma força pacificadora do Leão, liderada por Ikoma Riyoshi. Esta força se assegura da manutenção da lei e da ordem em nome do Imperador e da nova governadora-regente, Miya Katsuko.

Porém a situação está muito longe de se acertar: os Clãs iniciaram uma guerra sem fim na corte de Beiden, apoiados por aliados políticos e comerciais, sempre em busca de melhores acordos. Até mesmo alguns Clãs menores entraram na disputa e cada aliado ganho, perdido, roubado (ou assassinado) se tornou crucial. Nas últimas semanas Katsuko vem evitando ao máximo sediar sua corte, abrindo apenas para assuntos de extrema urgência, então, muitas das discussões e decisões têm ocorrido nos bastidores – situação que agrada muitas das forças políticas de Beiden.

No momento, as incertezas se refletem por toda a província: brigas dentro e fora da cidade, duelos ilegais e até mesmo pequenas escaramuças são recorrentes, dando muito trabalho para os poucos magistrados e para as forças de manutenção da paz, que se esforçam para impedir que uma guerra exploda. Da mesma forma sofrem os hemin, pois, além de terem suas terras constantemente ameaçadas pelos confrontos e seus efeitos, não sabem afinal a quem devem lealdade e, com isso, entregar impostos. Dessa forma, muitos ronins e bandidos (e alguns samurais desonrados) têm tirado proveito da situação para extorquir os mais fracos, e há ainda boatos sobre cultos hereges com supostas promessas de salvação para o povo.

Riqueza, traição, assassinato, guerra…
A história de Beiden foi pavimentada com estas palavras.
As Fortunas parecem rir enquanto a província mergulha rumo a um profundo abismo de Toshigoku.
Seria essa a eterna sina de Beiden?


Personagens

Imperiais

Miya Katsuko, a Regente Relutante – Arauta Miya 2
O pai de Katsuko conseguiu uma oportunidade brilhante para a carreira de sua filha e para a glória de sua família: apaziguar uma guerra entre dois Grandes Clãs. Porém, Katsuko sempre preferiu o aspecto explorador dos seus estudo como Arauta. Seus sonhos de conhecer toda Rokugan foram frustrados por um caminho burocrático, e ela não tem certeza se é capaz de lidar com uma situação tão grave.
Katsuko é considerada jovem para o peso da situação em que se encontra, por volta do seu vigésimo aniversário. Ela sabe que seus inimigos subestimam-na por sua idade e não pretende facilitar para eles.

Seppun Benje, Yojimbo Apaixonado – Guarda Seppun 3
Benje é um jovem e prodigioso Yojimbo em seus 25 anos. Ele acompanha Katsuko desde antes de seu gempukku, quando a menina arredia ainda relutava em seguir seus estudos. Ele a acompanhou em suas viagens pelo Império e a viu fazer o que realmente amava – desbravar o mundo e desfrutar de sua liberdade. A paixão que Benje passou a nutrir por sua protegida foi inevitável, algo recorrente nas grandes tragédias samurai. Apesar disso, sempre se esforçou para não misturar seus sentimentos e cumpriu bem o seu dever –  no fundo sabe que nunca será correspondido, e sente que Katsuko o tem como um irmão mais velho em quem pode confiar.
Atualmente busca uma alternativa à dependência de Riyoshi, a quem ele considera perigoso. Pensa em formar um grupo de magistrados ou guardas pessoais para a governadora, mas sabe que o Leão vai reaprovar qualquer iniciativa que diminua o seu poder.

A Corte Toshi no Beiden

Ikoma Riyoshi, o Pacificador – Bardo Ikoma 3
Um velho Ikoma em busca de uma grande glória. Tem o dever de auxiliar a governadora, mas, na verdade, fomenta a discórdia entre os Clãs na esperança de conseguir uma grande guerra para o Leão intervir e retomar Beiden. Comanda 200 homens, pacificadores que patrulham a cidade – maioria Matsu, mas alguns Akodo e Ikoma (em especial, Sentinelas).

Doji Takeshi, o Diplomata – Cortesão Doji 3
Takeshi foi um grande diplomata nascido em um ramo alto da família Doji, conquistou um casamento com uma Otomo e a amizade de dezenas de samurais influentes em toda Rokugan. Contudo, possui uma grande frustração dentro de si: seu casamento é extremamente infeliz e ele agradece aos kami por toda oportunidade que possui de estar longe de casa – nesses períodos, costuma se envolver em affairs temporários. Takeshi viu em Beiden a mais nova oportunidade de se manter longe de sua esposa e realizar conquistas.


Yogo Eiko, a Viúva – Shugenja Yogo 1
A jovem Eiko está em desgraça. Em seus 22 anos, nunca alcançou um papel de destaque em sua família, sendo até mesmo considerada uma shugenja medíocre.
Seu maior feito foi ser o laço de uma aliança que se desfez e, pior, é a principal suspeita de tramar a morte do ex-governador Garça, muito por causa da suposta maldição de sua família. Ela rebate tais boatos deixando claro para qualquer um que perguntar que nunca amou Sanjuro – o que não a torna menos suspeita, aos olhos dos outros. Está grávida e teme que a notícia agrave ainda mais a situação política.

Shosuro Korahime, a Anfitriã – Cortesã Bayushi 3
Korahime é cortesã e patrona do Teatro Shosuro e de Akaishiro, o complexo das artes Shosuro que engloba algumas das mais luxuosas hospedarias e casas de chá locais. Apesar da meia-idade, ainda é muito bela e cobiçada. É amante das artes e faz questão que suas geishas sejam impecáveis (e astutas) ao tratar seus clientes. Korahime é uma das forças principais do campo de batalha político de Beiden. Com sua rede de informantes espreitando em todos os seus estabelecimentos, ela sabe muito sobre muita gente e pode fortalecer ou derrubar a maioria das peças do tabuleiro. Curiosamente ela parece possuir mais interesse em jogar o jogo do que em tentar vencê-lo, ao menos, enquanto houverem bons jogadores em campo.

Asako Yohama, o Bibliotecário – Cortesão Asako 3
Um venerável senhor, Yohama é baixo, possui longos cabelos e barbas brancas e uma postura serena e pacífica.
Responsável pela biblioteca e pelos registros mantidos no templo de Tengen. Possui muita influência sobre os monges da irmandade e, por consequência, os plebeus. Tenta se manter neutro no conflito, mas busca ao máximo proteger os registros das garras de Ikoma Riyoshi e de qualquer um que julgar indigno, pois sabe que, com tais documentos, eles poderiam forjar facilmente uma reivindicação à província.




Os Senhores da Guerra

Matsu Harumi, Shireikan do Clã Leão – Berserker Matsu 4
Lidera aproximadamente 15 mil homens no desfiladeiro de Beiden. Uma experiente general, está apenas esperando as ordens de Riyoshi para esmagar os exércitos da Garça, do Escorpião, e de qualquer um que estiver em seu caminho.

Daidoji Sapporo, Taisa do Clã Garça – Guerreiro de Ferro Daidoji 3
Lidera aproximadamente 5 mil homens acampados ao norte da cidade de Beiden. É primo de Sanjuro e recebeu a honra de liderar esta investida para tomar as terras do Escorpião. Sapporo sabe que não dispõe de muito tempo, e que em breve os exércitos escorpião se reunirão e poderão subjugá-los com facilidade. Ele contava com reforços que deveriam vir pelo estreito, mas com a chegada do Leão, tudo se tornou mais complexo. A moral das tropas está baixa e os suprimentos se vão rapidamente. Seus exércitos sofrem constantes tentativas de sabotagem, e muitos dos seus batedores atualmente trabalham para impedir estes atentados. Sapporo mantém o semblante honrado e severo, mas em seu âmago, sente-se encurralado.

Bayushi Goro, Taisa do Clã Escorpião – Bushi Bayushi 3
Lidera aproximadamente 5 mil homens fortificados ao sudeste da cidade de Beiden, no Forte dos 7 Ferrões. Aguarda reforços de Kyuden Bayushi, mas sabe que as tropas não podem adentrar Beiden desde a chegada do Leão. Atualmente usa seus “batedores” para espreitar a província e causar todo tipo de sabotagem e atentado para minar a moral dos inimigos.

Tsuruchi Koutaro, Gunso das Flechas de Koutaro – Arqueiro Tsuruchi 3
Lidera aproximadamente 100 hábeis arqueiros acampados ao sudeste da cidade de Beiden. Seus homens buscam criminosos nas regiões ermas da província, mas Koutaro está disposto a ouvir propostas de alianças militares, afinal, suas Flechas são certeiras, e valem muito koku.







Conselho Mercante

Ide Temodai, o Sorridente – Ide Emissário 3 / Comerciante Ide
Rechonchudo e risonho, Ide Temodai tem um senso de humor tão grande quanto seu apreço por boa comida e boa bebida. Possui um cavanhaque curto, e mantêm uma longa e fina trança, apesar do cabelo raspado, na maior parte da cabeça.
Temodai é dono dos estábulos da cidade, onde também tem disponíveis alguns exemplares de belos cavalos criados nas terras de seu clã. Seus armazéns guardam tecidos e especiarias de origens exóticas, e até mesmo alguns artefatos gaijin. Suas caravanas e mercadorias viajam por terra e atravessam as estradas ao oeste, pelos território Escorpião, que cobram taxas consideravelmente baixas por um motivo que apenas Temodai conhece.

Yasuki Tsubame, a Dokufu – Comerciante Yasuki 3
É cruelmente apelidada de Dokufu (bruxa do pântano) pelos rivais devido a sua idade e sua maneira prática e rude de resolver as coisas. De fato ela tem se tornado cada vez mais prática, com o passar dos anos (culpa de seu avô Hida, ela diria).
Seus fornecedores oferecem as melhores folhas de chás de todo o Império, e ela sabe disso. Levando em conta o grande número de casas de Chá locais e das necessidades do Escorpião e da Garça em abastecer-se com o melhor, Tsubame cobra um elevado preço por seu produto precioso, mas dizem que ela se torna muito mais maleável se o pagamento for em jade.

Watanabe Fuji, o Marujo – Bushi Yoritomo 3
Fuji é um prestigioso membro da família Watanabe, vassala dos Yoritomo. Na casa dos 40 anos, seus cabelos formam um misto de preto e branco. Seu semblante é sério e denota experiência, características reforçadas pelo seu hábito constante de fumar kizeru.
Fuji é o responsável por muitas das movimentações de cargas pelo Rio do Ouro, possuindo armazéns em Ryoko Owari, Sunda Mizu Mura e, dizem, Zakyo Toshi. Com a morte de Sanjuro, Fuji passou a assumir alguns transportes pelo Rio do Monge Cego e pretende levar seus serviços até o Rio dos Três Lados, confrontando o Conselho Mercante Daidoji. Há quem diga que uma guerra comercial é tudo que os saqueadores Yoritomo desejam.

Hyogo, o ferreiro de O Sopro do Dragão – Shugenja Tamori 2 / Ferreiro do Martelo d’Água
Hyogo é uma figura que desperta curiosidade pois, quem o vê, assimila sua figura aos temidos monges tatuados. Quando chegou em Beiden ofereceu seus serviços ao Leão que necessitavam de um mestre armeiro para seus exércitos. Sua única exigência foi a permissão para ensinar e cuidar de órfãos que inevitavelmente surgiriam com a guerra. E assim, Hyogo manteve sua forja acesa, mesmo depois da queda do Leão.
Ele é uma figura respeitada na cidade e seus alunos o tratam como a um mestre sensei em um dojo. Na verdade Hyogo é um shugenja exilado do Dragão que viu a oportunidade de fazer alguma diferença em um momento de escuridão. Há anos ele busca aprimorar suas técnicas que unem a alquimia à forja.


Facções Menores

“Família” Koga 
Os Koga são mercenários que atuam em Beiden. Como a cidade se tornou um importante entreposto comercial, eles sempre conseguem bons contratos e bons clientes. A verdade é que os Koga são um “clã” ninja especializado em lidar com samurais. Poucos são os que sabem desta verdade, todos meticulosamente escolhidos pois tinham um bom serviço para eles. Hanzo é o atual líder da família, e é um senhor respeitado (e temido) pela população local da cidade. Ele (e seus yojimbo disfarçados de camponeses) fazem acordos diretamente na região portuária ao sul.

Kajinin
Uma gangue de kajinin (bombeiros) opera em Beiden, apesar de estarem bem mais cuidadosos em suas atividades desde que os Leões voltaram. Eles são mais honrados do que se esperaria de uma gangue, respeitados pelos heimin mais humildes, a quem ajudam da melhor forma que podem, rendendo-lhes a fama de “bons bandidos”. Contudo, eles ainda são criminosos, trabalhando com contrabando e extorsão, às vezes servindo de ”capangas” para quem puder pagar. Eventualmente, combatem incêndios.



Mapa de Toshi no Beiden


Toshi no Beiden
Mapa em Alta Definição

Mapa montado a partir de diversos mapas de L5A encontrados em cartographersguild.com, em especial Chikuzen. Em publicações futuras eu detalharei os pontos de interesse da Cidade e sua relação com alguns dos NPCs.